Capacitação nesta quinta-feira (20) reuniu coordenadoras de todas as regiões do DF, lideranças femininas e mulheres da comunidade em uma noite de reflexões sobre autoestima, pertencimento e atuação na vida pública
Uma cadeira diante de mais de 500 mulheres e uma pergunta aparentemente simples: o que impede você de ocupar esse lugar?
As respostas começaram a surgir. Medo. Insegurança. Crenças limitantes. Até que uma participante se levantou, caminhou até a cadeira e se sentou.
Ela não sabia se receberia uma pergunta nem o que aconteceria depois. Ainda assim, decidiu ocupar aquele lugar.
A cena resumiu a proposta da capacitação promovida pelo PP Mulher do Distrito Federal, nesta quinta-feira (20), no Centro Universitário ICESP, em Águas Claras. O encontro reuniu coordenadoras do PP Mulher de todas as regiões administrativas do DF, lideranças femininas e mulheres da comunidade em geral, ampliando o diálogo para diferentes perfis e experiências.
Com o tema “Mulheres que ocupam espaços: coragem, voz e protagonismo na política”, a programação aproximou desenvolvimento pessoal, liderança e atuação na vida pública. Mais do que discutir eleições ou cargos, trouxe para o centro da conversa desafios presentes em diferentes trajetórias: o medo de se posicionar, a insegurança diante de novas oportunidades, a sensação de não pertencimento e a coragem necessária para dar o próximo passo.
A presidente do PP Mulher DF e do PP Saúde, Dra. Karla Daniela Ferreira, abriu a programação apresentando o propósito do encontro: criar um ambiente de acolhimento e troca de experiências capaz de aproximar as participantes e estimular novas lideranças.
“A política também é um espaço que nos pertence. Cada mulher precisa reconhecer a própria força e se perceber protagonista da sua história”, ressalta Karla Daniela.
Compromisso, consciência e coragem
A psicóloga Thaís Flora conduziu a palestra principal da noite e mostrou como aspectos emocionais podem influenciar a maneira de enfrentar desafios, assumir responsabilidades e acreditar no próprio potencial.
Formada em Psicologia pelo Centro Universitário IESB, com experiência clínica e hospitalar em saúde mental, ela abordou autoestima, pertencimento, validação e crenças limitantes. Durante a apresentação, organizou a reflexão em torno de três pilares: compromisso, consciência e coragem.
Segundo a psicóloga, protagonismo não nasce apenas da vontade de ocupar um lugar, mas da disposição de agir mesmo diante de dúvidas e inseguranças.
“O medo pode existir, mas ele não precisa nos impedir de fazer. Mesmo com medo, a gente precisa ir e fazer”, explica Thaís.
A ideia ganhou forma na dinâmica da “Cadeira”. Diante do grupo, o objeto passou a representar oportunidades que muitas vezes parecem distantes. Ao perguntar o que impedia cada uma de chegar até aquele lugar, Thaís ouviu palavras recorrentes entre as participantes: medo, insegurança e crenças limitantes.
Quando perguntou quem estava disposta a sentar na cadeira, uma mulher decidiu dar o primeiro passo.
“Eu senti que poderia, sim, sentar nessa cadeira. Independentemente de eu ter que responder a uma pergunta ou não, eu estaria ali porque me sinto pertencente”, conta.
O gesto transformou uma reflexão abstrata em uma imagem concreta: antes de ocupar qualquer espaço, é preciso reconhecer que ele também pode ser seu.
Uma história que começou dentro de casa
Depois da palestra, a reitora da instituição anfitriã, professora Angélica, falou sobre a importância de criar ambientes onde diferentes experiências possam ser compartilhadas.
“É muito importante abrir espaços como este para que as mulheres possam estar juntas, compartilhar experiências e se fortalecer”, pontua Angélica.
Na sequência, Maria Célia Leão, mãe da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, levou ao público um relato marcado por lembranças familiares, fé e perseverança.
Ao revisitar a própria história, destacou valores que considera fundamentais para enfrentar desafios e fazer escolhas ao longo da vida.
“A gente precisa ter gratidão, valorizar a família, os filhos, os bons exemplos e, acima de tudo, ter Deus na nossa vida. São essas referências que também nos dão força para continuar lutando”, compartilha.
A conversa ganhou outro rumo quando Maria Célia recordou a infância da filha. Celina acompanhava a mãe em atividades ligadas à vida pública muito antes de construir a própria carreira, experiência que, segundo ela, aproximou a filha desde cedo daquele universo.
“A Celina me acompanhava desde pequena e cresceu vendo de perto a política. Depois, foi construindo a própria história, sempre com muita garra, muita luta, força e resiliência para enfrentar as dificuldades”, relembra Maria Célia.
O relato aproximou a política do cotidiano, mostrando como referências familiares, exemplos e experiências vividas desde cedo podem influenciar escolhas e abrir novos caminhos.
A governadora Celina Leão também participou do encontro por meio de uma mensagem em vídeo. Em razão de outros compromissos, agradeceu a presença do público e desejou que a capacitação fosse um momento de aprendizado e fortalecimento coletivo.
A secretária de Desenvolvimento Social, Giselle Ferreira, ampliou a discussão ao destacar o impacto da presença feminina nos ambientes onde decisões são tomadas.
“Precisamos de mais mulheres participando, ocupando espaços e entendendo a importância que têm na política e na construção das decisões que impactam a nossa sociedade”, reforça Giselle.
Ao voltar ao palco, Karla Daniela agradeceu a presença das mais de 500 participantes e convidou coordenadoras, lideranças e demais mulheres presentes a acompanharem as próximas reuniões e atividades do PP Mulher DF, dando continuidade às conexões construídas durante a capacitação.
Da autoestima à vida pública, da fé às histórias familiares, uma ideia atravessou o encontro: protagonismo não se limita a ocupar um cargo. Também se constrói nas escolhas cotidianas, na coragem de assumir responsabilidades, na defesa de ideias e na disposição de abrir caminho para que outras mulheres caminhem juntas.
“Queremos mulheres fortes, resilientes, que apoiem umas às outras e tenham coragem de estar à frente da política. Quanto mais mulheres ocuparem esses espaços, maior será a nossa capacidade de contribuir para um Distrito Federal melhor, com políticas públicas de verdade para todos e todas”, destaca Karla Daniela.




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