Ex-dançarinos processam nos EUA companhia de dança que fará apresentações em Curitiba, São Paulo e Porto Alegre

Companhia de dança dos EUA que se apresenta no Brasil com ingressos de até R$ 1.000 é acusada, em ação judicial, de tráfico de crianças e adolescentes e trabalho forçado, segundo o The New York Times



Chang Chun-Ko, ex-dançarina da companhia Shen Yun, é uma das ex-integrantes do grupo que hoje o acusa de exploração do trabalho. Ela ingressou com uma ação judicial nos Estados Unidos, acusando a companhia de tráfico de pessoas de operar um sistema de trabalho forçado. As informações constam em reportagens do The New York Times, que reúnem relatos de ex-integrantes sobre supostas práticas de exploração trabalhista e uso de adolescentes nas produções da companhia.

Segundo o jornal, Chang Chun-Ko afirma ter sido recrutada aos 13 anos e posteriormente submetida a um regime de trabalho intensivo dentro da organização. A ação judicial foi apresentada em tribunal federal em Nova York e descreve a companhia como um sistema estruturado de exploração de jovens artistas.

A Shen Yun, conhecida por espetáculos de grande escala e forte apelo visual, realiza turnês globais e mantém uma base significativa de público internacional. No Brasil, o grupo se apresentará em Curitiba (26 e 27 de abril), São Paulo (30 de abril a 4 de maio) e Porto Alegre (9 e 10 de maio), em datas já definidas para 2026, com ingressos que variam aproximadamente entre R$ 400 e R$ 1.000.

As reportagens do The New York Times, publicadas entre 2024 e 2025, incluem títulos como “Ex-Dancer Accuses Shen Yun of Forced Labor and Trafficking in Lawsuit” (“Ex-dançarina acusa Shen Yun de trabalho forçado e tráfico em processo judicial”) e “An ‘Army of Child Laborers’ Enriches Shen Yun, Ex-Dancers Say in Suit” (“‘Exército de trabalhadores infantis’ enriquece Shen Yun, dizem ex-integrantes em ação judicial”). Segundo a publicação, os relatos foram fornecidos por ex-dançarinos e músicos que integraram a companhia, muitos deles recrutados ainda na adolescência.


Relatos de jornadas intensas e baixa remuneração

De acordo com o jornal, ex-integrantes descreveram jornadas de trabalho extensas durante as turnês, que poderiam chegar a 15 horas diárias. Alguns afirmaram não ter recebido remuneração no primeiro ano de participação, passando posteriormente a receber cerca de US$ 500 mensais.

Os depoimentos também mencionam restrições à vida pessoal e ao acesso a conteúdos externos, além de alegações de retenção de documentos, como passaportes, durante o período de vínculo com a companhia, pontos que aparecem em processos judiciais citados pela reportagem.


Uso de adolescentes e alegações de exploração nas produções

As reportagens destacam que parte dos integrantes teria ingressado na companhia ainda na adolescência. Em ações judiciais mencionadas pelo jornal, ex-membros alegam que jovens artistas foram submetidos a rotinas intensas de treinamento e apresentações, o que levanta questionamentos sobre possíveis situações de exploração de trabalho infantil, segundo os relatos apresentados.


Lesões e acesso limitado a tratamento médico

Ex-integrantes ouvidos pelo jornal também relataram a ocorrência de lesões durante treinos e apresentações, com alegações de que o acesso a tratamento médico adequado teria sido limitado em alguns casos. Entre os relatos, há menções a artistas que continuaram se apresentando mesmo após lesões significativas, além de casos em que o tratamento teria sido substituído por práticas internas do grupo, segundo os depoimentos reunidos pela publicação.


Relatos de intimidação após saída da companhia

Além das condições durante a permanência na companhia, o jornal também relata que ex-integrantes afirmam ter sofrido perseguição após deixarem o grupo. Os depoimentos incluem alegações de intimidação, advertências sobre consequências espirituais e tentativas de deslegitimar publicamente ex-membros que tornaram suas experiências públicas.


Posicionamento da companhia

De acordo com o The New York Times, representantes do Shen Yun e organizações associadas contestam as acusações feitas por ex-integrantes. A companhia sustenta que oferece treinamento artístico rigoroso dentro de um ambiente disciplinado e baseado em princípios espirituais, negando irregularidades.

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