O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC) vêm consolidando o parto humanizado como um dos pilares da assistência materno-infantil na rede pública de Goiânia. O modelo coloca a mulher, o bebê e a família no centro do processo de nascimento, respeitando a fisiologia do parto, as evidências científicas e os direitos da gestante, sem abrir mão da segurança clínica.
De acordo com o médico obstetra e diretor técnico da maternidade, Rafael Mazon, o fortalecimento do parto humanizado surgiu da necessidade de qualificar a assistência obstétrica no Sistema Único de Saúde (SUS). "O parto humanizado é um modelo de cuidado que coloca a mulher como protagonista. Nosso objetivo é oferecer uma experiência segura, ética e centrada na mulher e na família", afirma o diretor.
A maternidade conta com um Centro de Parto Normal estruturado no modelo PPP (Pré-parto, Parto e Pós-parto imediato), permitindo que a gestante permaneça no mesmo ambiente durante todas as fases do trabalho de parto, sem necessidade de deslocamentos entre setores. Atualmente, a unidade dispõe de cinco leitos PPP, projetados para garantir conforto, privacidade e continuidade do cuidado. O ambiente favorece o vínculo, reduz a ansiedade e proporciona uma experiência mais tranquila para a mulher e seus familiares.
As salas de parto humanizado oferecem estrutura planejada para assegurar conforto físico, emocional e autonomia durante todo o processo de nascimento. Os leitos no modelo PPP contam com banheira, que auxilia no alívio da dor e promove relaxamento, além da possibilidade de banho morno e uso do chuveiro como métodos não farmacológicos. A gestante também pode utilizar a bola suíça, que estimula a mobilidade pélvica e favorece posições verticais, contribuindo para a evolução do trabalho de parto.
Há liberdade de movimento e de escolha da posição mais confortável, iluminação ajustável para tornar o ambiente mais acolhedor e espaços individualizados que preservam a privacidade. Durante todo o processo, é garantida a presença contínua de acompanhante de livre escolha, além do apoio integral da equipe multiprofissional, que atua com comunicação empática, escuta ativa e suporte técnico qualificado.
A direção ressalta que o parto humanizado não se limita ao parto normal. O conceito está relacionado ao modelo de assistência adotado, que prioriza acolhimento, respeito às escolhas da mulher, informação clara e segurança baseada em evidências científicas, independentemente da via de nascimento. Nos casos em que há indicação clínica para cesariana ou quando essa é a escolha informada da gestante, a maternidade também assegura atendimento humanizado, com presença de acompanhante, comunicação transparente e atuação integrada da equipe. Sempre que as condições clínicas permitem, são estimuladas práticas como o contato pele a pele imediato e o início precoce da amamentação.
A segurança assistencial permanece como prioridade. Há monitorização materna e fetal contínua, protocolos baseados em evidências e estrutura hospitalar preparada para intervenções imediatas, quando necessárias. "Humanizar não significa abrir mão da segurança. Pelo contrário: significa oferecer cuidado técnico qualificado, com respeito às escolhas da mulher e pronta resposta a qualquer intercorrência", reforça Rafael Mazon.
No modelo adotado pela unidade, a mulher participa ativamente das decisões sobre seu parto. O consentimento informado, o respeito ao plano de parto e a liberdade de posição garantem autonomia e protagonismo. A equipe atua como suporte técnico e emocional, assegurando informação clara e apoio contínuo.
A assistência é realizada por equipe multiprofissional formada por enfermeiras obstétricas, médicos, técnicos de enfermagem e demais profissionais capacitados. Enfermeiras obstétricas acompanham partos de risco habitual, enquanto médicos atuam sempre que há indicação clínica. A capacitação é contínua, baseada em protocolos atualizados, evidências científicas e práticas de comunicação humanizada.
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